Passamos a vida fazendo planos e batalhando para chegarmos à terceira idade aposentados e podermos, enfim, descansar e aproveitar o que a vida tem de melhor. Mas, lamentavelmente, quando chega este período de nossa vida, a realidade pode ser bem diferente. Já não temos mais saúde, nossa família já sofreu perdas, a renda decaiu e não conseguimos aproveitar da maneira que sonhávamos. Muitas vezes, esta realidade origina sérios casos de depressão na terceira idade.

De acordo com pesquisa realizada por universidades, o índice de depressão tem se elevado consideravelmente em vários países. Lamentavelmente, o Brasil está em primeiro lugar neste ranking, já que 20% da população brasileira sofre de depressão, principalmente na faixa da terceira idade.

Qual a relação entre a depressão e a terceira idade?

Patologicamente a depressão é reconhecida pela presença de tristeza, baixa autoestima, pessimismo e desânimo frequentes. Esses sintomas podem surgir, tanto de forma isolada, quanto combinados entre si e em qualquer fase da vida. É um assunto muito sério e precisa ser tratado de maneira correta, com avaliação e acompanhamento médico.

Na terceira idade, o aumento de fatores causadores de estresse pode levar ao surgimento ou agravamento da depressão. A mudança brusca nas atividades cotidianas com a chegada da aposentadoria, os amigos que começam a partir, o surgimento de limitações físicas e psicológicas, todos esses são fatores que favorecem o surgimento da depressão nesta fase da vida.

As características da depressão na terceira idade podem ser um pouco diferentes, podendo apresentar mais sintomas de ansiedade, ser mais frequente e ter a recuperação mais lenta que o normal.

A medicação nesta fase deve ser feita com muito cuidado, pois normalmente o idoso já faz uso de medicamentos para outras doenças. Deve haver a preocupação com a interação medicamentosa, de forma a evitar que um remédio provoque reação adversa ou então tire o efeito de outro.

Causas da depressão na terceira idade

Um fato lamentável é que culturalmente os velhos não são valorizados. Quando cumprem sua vida profissional e chegam à aposentadoria passam a ser tratados como se já não tivessem mais valor para a sociedade. Esse sentimento de desvalorização aliado à queda nos rendimentos e no padrão de vida levam os idosos a sofrer com a depressão. E isso gera um isolamento que, por sua vez, pode muitas vezes despertar o desejo na pessoa de tirar a própria vida por não mais cumprir um papel social.

Outro fator que afeta psicologicamente e emocionalmente os idosos é o afastamento da família e amigos. Os primeiros porque estão ocupados demais com seus afazeres diários e não dispõem de tempo. E, no caso dos amigos, por também terem uma idade avançada e estarem doentes e até morrendo. Ver um amigo morrer pode ser muito difícil de assimilar, uma vez que o pensamento é de que ele mesmo pode ser o próximo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2025 no Brasil a população idosa crescerá 16 vezes, enquanto a população total crescerá 5 vezes. Isso classifica o país como sexta população em idosos no mundo, o que corresponde a mais de 32 milhões de pessoas com idade acima de 60 anos.

Isolamento e nova forma de sociedade

Os asilos e clínicas especializadas têm sido cada vez mais a opção para os idosos passarem o que ainda resta de suas vidas. Muitas vezes a intenção é boa, tendo em vista que nestes locais eles terão a companhia de pessoas da mesma idade e serão cuidados por especialistas.

O problema é que muitos ficam isolados nestes locais e quando percebem que perderam o contato e convivência com familiares e amigos passam a apresentar sintomas de depressão e doenças psicológicas e degenerativas.

Porém, uma nova forma de sociedade tem surgido com o aumento da expectativa de vida. O fato de a população idosa estar aumentando exige novas configurações para atender as demandas desta população.

Um novo formato de atendimento para os idosos são as vilas ou comunidades, onde um grupo de idosos se reúne e passa a viver em conjunto, contratando uma pessoa especializada para atendê-los em suas necessidades.

O modelo pode ser visto no filme “Se vivêssemos todos juntos”, onde um grupo de idosos decide morar junto sob os cuidados de um jovem contratado para auxiliá-los.

Essa forma de convívio, além de proporcionar ajuda mútua, troca de experiências e o contato diário com pessoas próximas, traz melhoria de vida para o idoso e ajuda a afastar a depressão.

Se perceber alterações no comportamento de um idoso próximo, procure um psiquiatra. Gostou do texto? Compartilhe!

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