A maldade pode ser considerada um distúrbio psiquiátrico? Tem tratamento? Como um psiquiatra pode ajudar? Continue a leitura e entenda mais sobre esse tema.

A experiência de Stanford

Em 1971, o professor Philip Zimbardo, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, lançou um experimento que se tornou mundialmente conhecido como o Experimento da Prisão de Stanford. A intenção foi avaliar a influência do grupo nos comportamentos individuais. Para isso, o professor arregimentou 20 voluntários que simularam papéis de guardas e prisioneiros no ambiente de uma prisão.

Zimbardo visa algumas ideias do estudioso francês Gustave Le Bon do comportamento social, em particular a teoria da desindividualização, que argumenta que os indivíduos de um grupo coeso, constituindo uma multidão, tendem a perder a sua identidade pessoal, consciência, senso de responsabilidade, alimentando o surgimento de impulsos anti-sociais.

No experimento, surgiram casos de violência e abuso de poder, inclusive pela equipe de pesquisadores e pelo próprio Zimbardo, e o experimento foi interrompido antes do prazo estabelecido.

O processo de desindividualização leva a uma perda de responsabilidade pessoal. Essa visão reduzida das consequências de suas ações enfraquece os controles comportamentais com base em culpa, vergonha, medo, bem como aqueles que inibem a expressão do comportamento destrutivo. A desindividualização implica, portanto, uma sensação diminuída de si mesmo e uma maior sensibilidade para as metas e as ações tomadas pelo grupo.

A experiência de Milgram

O psicólogo Stanley Milgram realizou um experimento também voltado ao comportamento humano. Desta vez, a observação foi acerca da obediência a autoridades, mesmo contradizendo os valores pessoais e o bom senso social.

A princípio, a intenção era explicar os crimes cometidos na época do nazismo. E mostrar como pessoas bem ajustadas socialmente foram capazes de cometer abusos, torturas e assassinato contra pessoas comuns, durante o Holocausto. O objetivo da experiência era analisar como a autoridade pode influenciar alguém a cometer atitudes deletérias a outras pessoas.

O resultado foi que, cerca de metade dos voluntários obedecia às ordens ditadas pelo pesquisador, causando dor e violência contra seu semelhante. mostrando a disposição de pessoas adultas a seguir cegamente as ordens ditadas por uma autoridade, sem questionar. O fato de uma autoridade ordenar algo deletério a outra pessoa não era visto como algo ruim ou errado pelos participantes, que justificavam que estavam apenas obedecendo ordens.

Através destes experimentos históricos, podemos ver como pessoas comuns podem tomar atitudes consideradas prejudiciais a outros seres humanos quando estimuladas por um comportamento grupal ou induzidas por figuras de autoridade. 

No cinema, o filme A Onda, de 2008, também discutiu o tema do comportamento grupal. Esse filme também é baseado em um experimento social. Um professor recebe a tarefa de instruir seus estudantes sobre o Estado Autocrático. Ele questiona, será que hoje algum regime autoritário como o nazismo poderia voltar ao poder? Ele decide aplicar as regras de um estado totalitário, como a ausência de individualidade, obediência ao líder e união entre membros, a uma turma de colegial durante uma semana.

E no dia a dia, como isso se manifesta?

As faces da maldade

Esses experimentos mostram que toda pessoa em condições propícias pode comportar-se de maneira perversa, mentirosa e fria, prejudicando outras pessoas, mostrando que o conceito de maldade é algo muito amplo, impossível de ser separado dos fenômenos sociais. Então, o mal já nasce com a pessoa?

Não nascemos com a personalidade definida. O que ocorre é uma combinação do temperamento – que é herança genética – com caráter, que vem da união do temperamento com o que experimentamos do ambiente em que estamos inseridos.

Já nascemos com a capacidade para o bem e para o mal em nós, mas a forma como esses conceitos vão se desenvolver depende de vários fatores em nossa vida, como a educação, frustrações vivenciadas, traumas, e a nossa capacidade de resiliência.

Em alguns casos, alguns indivíduos apresentam comportamento disfuncional desde a infância. Comportamentos como vandalismo, agressividade, mitomania, e dificuldade de aceitar regras podem aumentar o risco de um comportamento antissocial na idade adulta.

O mais difícil no tratamento de comportamentos antissociais é a falta de crítica do próprio indivíduo. Os indivíduos muitas vezes não sentem culpa ou remorso e não vêem seu comportamento como prejudicial. A linha entre o que é normal e o que é patológico é muito tênue, e o principal fator prognóstico é o engajamento do indivíduo no tratamento e a capacidade de questionamento sobre suas próprias atitudes.

E você? Tem alguma dúvida sobre que tipos de comportamentos podem ser tratados pelo médico psiquiatra? Conte pra gente!

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