O que leva uma pessoa a cometer o suicídio?

A poeta Ana Cristina Cesar, nascida em 1952 e falecida em 1983, é um dos maiores nomes da poesia brasileira no século XX. Ana C., como era conhecida, participou do movimento Poesia Marginal, também conhecido como Geração do Mimeógrafo, que nos anos 70 reuniu escritores que se utilizavam do mimeógrafo para produzir edições caseiras de suas obras literárias e distribuir a população, em plena época de ditadura militar.

A obra da Ana C. é densa e conquista admiradores em todo o mundo. Em suas poesias há um reflexo da sua geração, marcada por uma época de grande movimentação cultural no Brasil e no mundo, recebendo influência do pop, da música e do cinema. Ela foi, inclusive, homenageada postumamente na FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) em 2016, sendo a segunda escritora brasileira a ser homenageada com este mérito. 

Um de seus poemas mais conhecidos chama-se “Psicografia”:

“Também eu saio à revelia

e procuro uma síntese nas demoras

 cato obsessões com fria têmpera e digo

do coração: não soube  e digo

da palavra: não digo (não posso ainda acreditar

na vida) e demito o verso como quem acena

e vivo como quem despede a raiva de ter visto”.

Pouco tempo depois de ter lançado seu primeiro livro, “A teus pés”, Ana C. cometeu suicídio aos 31 anos de idade, devido a depressão.

A depressão que leva ao suicídio

A maioria de nós conhece alguma pessoa que enfrenta ou passou pela depressão. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 121 milhões de pessoas sofrem com a doença em todo mundo.

A identificação dos sintomas da depressão exige atenção. Falta de ânimo, emoções à flor da pele, distúrbios do sono, dores musculares, são sintomas que denotam depressão. Além dos sintomas, a pessoa pode começar a buscar atividades que a ajudem a fugir do estado em que se encontra, como o consumo de álcool ou drogas.

A depressão pode ser iniciada por vários fatores, como luto ou perda de alguém querido, problemas de relacionamento, dificuldades financeiras ou no trabalho. Não se sabe a causa definida da depressão, mas estudos mostram que existe uma alteração na distribuição do neurotransmissor serotonina em algumas regiões cerebrais. A presença de familiares com o transtorno aumenta o risco do desenvolvimento da depressão. A depressão normalmente se agrava aos poucos e, por isso, as vezes demora para ser diagnosticada, podendo levar ao suicídio. Segundo a OMS ainda, de cada 100 pessoas com depressão, 15 decidem cometer suicídio.

Identificar os sintomas da depressão é primordial para buscar ajuda. Afinal, é uma doença grave, porém, se tratada corretamente, tem controle e remissão dos sintomas.

Ajuda psiquiátrica

É importante que as pessoas que estão à volta do depressivo fiquem atentas aos sintomas e atitudes. Muitas vezes, a pessoa não sabe onde ou como buscar ajuda. Mudanças importantes no comportamento como isolamento, irritabilidade apatia e perda do rendimento nas atividades podem ser sintomas indicativos de que uma pessoa pode estar sofrendo de depressão.

Quando identificada a depressão, é necessário que se busque ajuda profissional, para que o tratamento adequado seja ministrado. O tratamento é feito por um psiquiatra, com a ajuda de terapia e uso de medicação. Dependendo do caso, uma equipe multidisciplinar se faz necessária. O tratamento tende a ser bastante eficaz, mostrando os primeiros resultados já nas quatro primeiras semanas de tratamento. Com o tempo,  o paciente consegue retornar as suas atividades cotidianas.

E quando depressão leva a ao suicídio?

O suicídio mata mais de 800 mil pessoas por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Três em cada quatro casos são registrados em países emergentes e pobres. Uma pessoa a cada 40 segundos morre decorrente do suicídio.

Existem muitos mitos em relação ao suicídio. O suicídio não é exclusivo das pessoas com transtornos mentais, porém a presença de um diagnóstico psiquiátrico aumenta o risco de suicídio. Pessoas que falam sobre o suicídio estão procurando ajuda e tem um risco aumentado de cometer suicídio.

Na verdade a maioria dos suicídios foram precedidos por avisos ou sinais, sejam verbais ou comportamentais. Os pensamentos suicidas tem tratamento e ocorrem durante curtos períodos. Quando tratado, o paciente apresenta melhora do sintoma e o risco pode desaparecer.

Por causa do estigma sobre suicídio, a maioria das pessoas que estão cogitando tirar a própria vida não sabem com quem falar. Existe o mito de que falar com a pessoa sobre o suicídio aumenta o risco. Ao contrário, o invés de encorajar, conversar abertamente sobre o suicídio pode dar outras opções ou o tempo para que a decisão seja repensada, e assim prevenir o suicídio.

Pessoas com pensamentos suicidas estão ambivalentes em relação a vida e muitas vezes não vêem esperança no futuro. O apoio familiar e profissional pode ajudar ao paciente a passar por essa fase e retomar as atividades.

Você conhece algum caso semelhante ao da escritora Ana C? Comente aqui e compartilhe este texto para ajudar a esclarecer mais pessoas sobre a depressão.

 

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