O ano de 2017 deu início a uma reflexão sobre um assunto polêmico e até então pouco abordado pela mídia: a depressão e o suicídio entre jovens. Fomos bombardeados com informações, muita vezes não verídicas, de jogos e comunidades em que jovens compartilham informações sobre suicídio e o incentivam.

A série 13 Reasons Why, lançada recentemente pela Netflix, tornou-se rapidamente popular e polêmica, ao abordar esse mesmo tema, pouco discutido em sociedade: o suicídio em crianças e adolescentes. A série, baseada no livro Thirteen Reasons Why (2007), de Jay Asher, conta a história do suicídio de uma jovem de 17 anos, que grava em 13 fitas cassetes a sua angústia e conflitos durante a conturbada fase da adolescência.

A série é polêmica pela forma explícita que apresenta temas impactantes na vida dos adolescentes, tais como bullying, assédio, violência, estupro e homofobia. O tema central é o suicídio de uma adolescente. Após sua morte, um colega encontra as 13 fitas cassetes onde a jovem gravou os motivos e quem são os culpados que a levaram a cometer o suicídio.

Uma discussão que veio à tona é a de que pessoas, jovens principalmente, que estejam de alguma forma fragilizadas, não deveriam assistir a série, pois poderão ver o caso da jovem suicida como um exemplo a ser seguido. Mas, falar sobre suicídio leva a uma pessoa a cometer suicídio? Como tratar desse tema polêmico com nossos filhos?

Suicídio entre jovens

O suicídio já é uma das principais causas de morte entre os adolescentes, competindo com acidentes de veículos e morte por arma de fogo. A taxa de mortalidade por suicídio vem aumentando no Brasil e no mundo, talvez fruto da falta de uma campanha efetiva sobre o assunto.

O resultado de uma pesquisa realizada pelo Mapa da Violência mostra que a taxa de suicídio entre os jovens já subiu 10% desde 2002. Só em 2014 foram 2.928 casos. O suicídio de adolescentes cresce constantemente no Brasil, mas os casos são mantidos em silêncio, como um tabu, escondendo uma demonstração do sofrimento que muitos adolescentes vêm passando.

O suicídio entre jovens é uma realidade que parece não ter muito sentido, afinal a adolescência é o período de descobertas, alegrias, amizades e não um tempo de sofrimento e morte. Porém, também é uma fase em que a pessoa fica muito suscetível a influência do meio onde vive, sempre tentando se encaixar nos padrões estabelecidos.

A adolescência é uma fase também de separação e rompimento com a normas vigentes, experimentação, questionamentos. O jovem é bombardeado com questões sobre si mesmo e o mundo.  A cor da pele, o cabelo, o corpo e o modo de se vestir, tudo pode ser alvo de brincadeiras cruéis e até violência por parte dos colegas.

O suicídio e a depressão

Bullying na escola, uso de drogas e álcool, violência sexual e doméstica, são alguns motivos que aliados à depressão, levam os adolescentes ao suicídio.

Por não possuir mecanismos de defesa como os adultos, os jovens entre 12 e 17 anos estão mais suscetíveis à depressão grave, transtornos mentais e ao risco de suicídio.

Os pais devem sempre observar o comportamento dos adolescentes. É importante tomar conhecimento sempre do que ele vem assistindo e com quem vem conversando. Isto não significa invasão de privacidade, mas o cuidado e o diálogo devem ser mantidos.

Mudanças bruscas no comportamento denotam que algo não está bem e os pais devem estar atentos para não confundir com sintomas inerentes a esta fase da vida. Adolescentes que sempre foram ativos e, de repente, apresentam sinais como queda no rendimento escolar, desinteresse, tristeza, irritabilidade, isolamento e até automutilação, devem ser acompanhados, pois estas são características de depressão.

Quando a situação requer um psiquiatra?

Nos últimos anos, tem ocorrido uma maior busca por tratamentos de saúde mental para adolescentes. A procura por ajuda especializada para tratar dos conflitos é a saída mais indicada.

Somente um psiquiatra tem condições e ferramentas para identificar o grau de depressão e orientar o melhor tratamento, ajudando o jovem a enfrentar seus problemas e encontrar uma forma de viver de acordo com a fase da vida que está passando.

Se o seu filho adolescente tem apresentado alterações de comportamento, não espere, procure um psiquiatra. Deixe aqui o seu comentário sobre a série!

Deixe uma resposta

Fechar Menu